sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O SONHO



No velho armazém, o tecto construido com traves de madeira ainda resiste. Há sinais de um passado nobre e faustoso, outrora cenário de luz e cor.
Procuro algo que brilhe, valor num chão de terra solta.Prendo uma moeda antiga entre dedos convicto de fortuna.

Sentado no meu trono, assisto à entrada triunfal e colorida dos meus 7 brancos cavalos circenses. Sou dois personagem no espaço e no tempo.
Deito fora a moeda e o mendigo desaparece.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

RESPIRAR NA MARGEM ESQUERDA


Respirar o silêncio entre Ficalho e Barrancos.
Pedalar até estafar, sentir cansaço e deixar a alma repousar no canto de um pardal.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O Abismo

Vou expurgando os fantasmas que me habitam.
Regresso à forma fisica com uma vida espartana.
Juro a mim mesmo não jogar mais ao drama
vivê-lo e aceitando-o como se me apresenta.
- Páro de brincar aos deuses. Não salto mais para o abismo!

nota: Algo interior diz-me que são apenas promessas de "cigano".

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

RIFÃO I

"A paciência dos povos é a manjedoura dos tiranos"
(Emilio Marchi)


(H.Espiritu)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

PASTELARIA


(Jon Gausdal)

PASTELARIA

"Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura.
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio.
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante.
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício.
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola.
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir
de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra"


Mário Cesariny - Nobilíssima Visão (1945-1946), burlescas, teóricas e sentimentais (1972)