quinta-feira, 19 de março de 2009

ROUBADO



A minha casa está sempre aberta ,não gosto de chaves, odeio alarmes e vídeo vigilância.
Foi roubada esta manhã , estava à vista de todos no páteo da casa, bastou abrir a porta.
Que lhe seja útil, que seja precisado(a), quem a roubou.
Andámos juntos pelo Alentejo, Algarve, Beira Alta, Trás-os-Montes,Douro , Galiza ,Euskadi , Astúrias , Cantábria e Gerês.

quinta-feira, 5 de março de 2009

"HÁ MULHERES QUE NUNCA RECEBEM POSTAIS DE AMOR"

Lembrar que há um longo caminho a percorrer.



Hay mujeres que arrastran maletas cargadas de lluvia,
hay mujeres que nunca reciben postales de amor,
hay mujeres que sueñan con trenes llenos de soldados,
hay mujeres que dicen que sí cuando dicen que no.

Hay mujeres que bailan desnudas en cárceles de oro,
hay mujeres que buscan deseo y encuentran piedad,
hay mujeres atadas de manos y pies al olvido,
hay mujeres que huyen perseguidas por su soledad.

Hay mujeres veneno, mujeres imán,
hay mujeres consuelo, mujeres puñal,
hay mujeres de fuego,
hay mujeres de hielo,
mujeres fatal.
Mujeres fatal.

Hay mujeres que tocan y curan, que besan y matan,
hay mujeres que ni cuando mienten dicen la verdad,
hay mujeres que abren agujeros negros en el alma,
hay mujeres que empiezan la guerra firmando la paz.

Hay mujeres envueltas en pieles sin cuerpo debajo,
hay mujeres en cuyas caderas no se pone el sol,
hay mujeres que van al amor como van al trabajo,
hay mujeres capaces de hacerme perder la razón.

(Estribillo)

Hay mujeres que compran a plazos un nicho en el cielo,
hay mujeres que cambian abrazos por ramos de azahar.

ÁRVORES



Loucos abraçam árvores , conversam com pássaros.
Velhos descansam no jardim , vadios sorriem à chuva e as crianças reconhecem a palavra segredo.
Há mais mistério e beleza na árvore, que em todos os “Louvres” do mundo.
“- Ah! Mas que bonito!
Deve ter levado muitos anos a construir!
E o esforço que não deve ter sido! ”

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O SONHO



No velho armazém, o tecto construido com traves de madeira ainda resiste. Há sinais de um passado nobre e faustoso, outrora cenário de luz e cor.
Procuro algo que brilhe, valor num chão de terra solta.Prendo uma moeda antiga entre dedos convicto de fortuna.

Sentado no meu trono, assisto à entrada triunfal e colorida dos meus 7 brancos cavalos circenses. Sou dois personagem no espaço e no tempo.
Deito fora a moeda e o mendigo desaparece.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

RESPIRAR NA MARGEM ESQUERDA


Respirar o silêncio entre Ficalho e Barrancos.
Pedalar até estafar, sentir cansaço e deixar a alma repousar no canto de um pardal.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O Abismo

Vou expurgando os fantasmas que me habitam.
Regresso à forma fisica com uma vida espartana.
Juro a mim mesmo não jogar mais ao drama
vivê-lo e aceitando-o como se me apresenta.
- Páro de brincar aos deuses. Não salto mais para o abismo!

nota: Algo interior diz-me que são apenas promessas de "cigano".

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

RIFÃO I

"A paciência dos povos é a manjedoura dos tiranos"
(Emilio Marchi)


(H.Espiritu)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

PASTELARIA


(Jon Gausdal)

PASTELARIA

"Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura.
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio.
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante.
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício.
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola.
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir
de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra"


Mário Cesariny - Nobilíssima Visão (1945-1946), burlescas, teóricas e sentimentais (1972)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

LEMBRAR GAZA


(Rubens-1612)

Dormimos um sono profundo.
Não vemos , não ouvimos, não falamos, não pensamos, tal e qual os macaquinhos estátua.

Batem à porta que não abrimos.

Construiram um monumento a aviões carregados de pára quedista.
Treinam uma qualquer guerra.
Não me interessa.Sei que sobrovoam a minha casa.
- Ó parolo! Ólhó avião!