quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

PASTELARIA


(Jon Gausdal)

PASTELARIA

"Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura.
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio.
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante.
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício.
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola.
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir
de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra"


Mário Cesariny - Nobilíssima Visão (1945-1946), burlescas, teóricas e sentimentais (1972)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

LEMBRAR GAZA


(Rubens-1612)

Dormimos um sono profundo.
Não vemos , não ouvimos, não falamos, não pensamos, tal e qual os macaquinhos estátua.

Batem à porta que não abrimos.

Construiram um monumento a aviões carregados de pára quedista.
Treinam uma qualquer guerra.
Não me interessa.Sei que sobrovoam a minha casa.
- Ó parolo! Ólhó avião!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Ó CHEFE!

"A liberdade dá cá uma trabalhêra"
(Samuel)

Repugnam-me palavras tais como "Chefe" e "Patrão".
Irresponsáveis e mendigos, assumem esta formalização correntemente.


post scriptum: O boneco tirei da net, honra seja feita ao seu autor que desconheço

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

SEM REDE

Trovadores(as),trapezistas voadores, um homem uma guitarra um silêncio para quebrar.
Sílvio Rodriguez só podia ser Cubano.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

ENTRE 4 PAREDES


(foto de Josef Koudelka)

Quero uma caravana puxada por cavalos e campos
des(vedados) para pernoitarmos sob a lua de agosto
Quero que me cortes o cabelo de manhã com a mesma tesoura de sempre.

domingo, 4 de janeiro de 2009

A GRANDE CANÇÃO DA INDIFERENÇA

Vulgarizámos a violência,alimentamos os nossos filhos de violência,a couraça é tão dura que nada nos toca.

sábado, 3 de janeiro de 2009

OS BONS E OS MAUS


(Gustav-Klimt)

Bons e maus.
Muros, fronteiras, hinos, nações, governos e estandartes, mulheres, crianças, velhos e cães escondidos.
Perdemos a liberdade trabalhando para os senhores da guerra.
Começa a fazer sentido oferecer a outra face.
Meus silêncios vão para os objectores de consciência, para todas as vítimas na Faixa de Gaza.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

CREDO




Faz todo o sentido este poema de Natália Correia,numa pátria que só acredita em tabelas,gráficos,sondagens,fazedores de opinião,engravatados,percentagens e vencedores.Riam-se na minha cara, chamem-me lírico, parvo idiota, utópico,sou dos não derrotados, estarei sempre do outro lado do rio, onde conversamos com as pedras e acendemos fogueiras com notas de mil ecus bebendo vinho do Alentejo.

CREDO
"Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é étero num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o amor tem asas de ouro. Ámen."

de Natália Correia - Sonetos Românticos - Poesia Completa, 1990

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Novo mundo

Magia

Gregory Colbert contruíu a ponte entre nós e os peludos de quatro patas,

entre nós e os nossos irmão que habitam o mar.

É tempo renascer para um novo mundo, que este já tresanda .

ps: Foto de Gregory Colbert